segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Palavras.

São tão fáceis as palavras!
São apenas pequenas letras que se juntam harmoniosamente com a intensão de ajudarem as pessoas a comunicar duma forma simples e prática.  
Basta uma pessoa tirar algumas letras dum saco. A pessoa não faz mais nada para além disso, as letras tratam do resto.
Elas juntam-se, brincam entre si, procurando formar a melhor combinação sonora e escrita, por assim dizer, possível. Esta "procura" funciona, de certa maneira, como o jogo da apanhada. Uma letra corre atrás de outra, da que lhe dá mais jeito apanhar, e quando a apanha correm as duas em simultâneo à caça de outra letra. E assim sucessivamente até a palavra fazer sentido. É então que o jogo termina, e as letras que não foram precisas voltam para o saco, onde se encontram milhares de outras letras.
A palavra está formada!
Foi um processo simples e rápido. E este repete-se até existirem milhões e milhões de palavras.
Durante este processo são formadas palavras de todos os tipos: grandes, pequenas, formais, informais,(...). Neste processo são ainda formadas palavras lindas, palavras que não têm só a intensão de comunicar, mas também uma intensão de alegrar, de proteger, de amar! Palavras que aquecem corações e alimentam sonhos. 
Contudo, houve uma necessidade subita e inexplicável de criar palavras com uma intenção obscura. Palavras menos bonitas, com a intensão de magoar quem as ouve.
Essas palavras vêm da boca das pessoas que mais amamos, e muito lentamente, rasgam-nos o peito, a pouco e pouco, como um pedaço de gelo afiado, e provocam uma ferida profunda dentro de nós. São palavras duras, crueis, frias, que deixam uma dor incontrolável dentro do nosso corpo, da nossa mente, do nosso coração... e que por muito tempo que passe não nos abandonam, nem nunca abandonarão, apenas se vão tornando menos dolorosas a cada dia que passa. 
É então que, muito tempo depois, chega um dia em que já não dói pensar nessas palavras, já não dói pensar no contexto e na circuntância em que estas foram ditas, pois a ferida sarou, aquela ferida que trazia uma dor para a qual não há explicação possivel deixou de existir, mas dela permanece a cicatriz. E esta fica lá, à espera que mais uma pequena e inofenciva palavra, criada com esse "objectivo obscuro", volte a abrir a ferida, mas desta vez a dor é pior, é mais aguda, mais cruel. E o tempo? O tempo que cura a ferida? Esse demora muito mais a passar...
Contudo as palavras continuam a ser fáceis; a sua utilização é que é complicada...

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